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Famílias de Penedo da Sé poupam dinheiro cozendo pão no forno público da aldeia

Segunda-feira, 11.06.12

No concelho da Guarda

Famílias de Penedo da Sé poupam dinheiro cozendo pão no forno público da aldeia

 

O forno público da aldeia de Penedo da Sé, Freguesia do Marmeleiro, concelho da Guarda, continua a ser utilizado por muitas famílias, que poupam dinheiro em tempo de crise.

Aquele equipamento comunitário tem grande procura para confecção de pão caseiro e, quem o usa, alega que a opção permite poupar dinheiro e produzir pães mais saborosos e saudáveis do que aqueles que são fabricados nas padarias.

O forno de Penedo da Sé, localidade que tem cerca de 50 habitantes, é utilizado por uma dúzia de famílias que ali cozem o pão para consumo diário. Emília Guerra, de 45 anos, que utiliza o forno comunitário uma vez por mês, admitiu que o fabrico caseiro daquele alimento representa uma economia mensal da ordem dos 40 euros. “Em 30 quilos de farinha deixo [pago] 10 euros e se fosse comprar o pão nem com 50 euros o fazia”, justificou, no dia em que cozeu 30 pães de centeio e 4 bolas de carne.

A mulher comentou que o processo de feitura do pão (amassar, aquecer o forno e cozedura), que leva mais de 3 horas e “dá muito trabalho”, compensa em termos económicos. Explicou que coze pão uma vez por mês e que o congela na arca, retirando-o à medida que o vai consumindo.

Para Emília Guerra, o pão que é feito no forno caseiro, pelo método tradicional, não tem comparação com o das padarias industriais: “Só tem um bocadinho de fermento e de sal. O outro tem mais químicos”. A mulher, que aprendeu a fazer pão com a mãe, orgulha-se de seguir “o exemplo dos antigos”.

Maria Estela, 72 anos, que também utiliza o forno de Penedo da Sé reconhece, igualmente, que o pão feito em casa, para além de “mais saboroso”, fica mais económico. Contou que aprendeu a fazer pão com a sua mãe, quando tinha “10 ou 11 anos” e que “nunca mais parou”. “Sempre fiz pão em casa. Gostamos mais deste do que daquele que é feito nas padarias”, disse. Referiu que quando coloca o pão no interior do forno costuma fazer a oração: “O pão cresça no forno e as alminhas no Céu”. “Depois, rezo um Pai Nosso e uma Avé-Maria”, disse.

Manuel Guerra, 73 anos, marido de Maria Estela, afirmou ao Jornal A Guarda que o pão caseiro “dá muito trabalho” mas compensa. “No Inverno está-se aqui bem, mas nos meses do Verão, não se pode estar com o calor”, disse o homem. No entanto, declarou que com a opção familiar “economizamos mais e sabemos aquilo que comemos”. Como o casal tem 8 filhos, também costuma cozer pão para toda a família: “Cada um dos filhos leva 2 ou 3 e nós ficamos com o restante”.

Manuel Guerra lembrou que no processo de fabrico do pão caseiro as tarefas dos homens e das mulheres estão bem definidas. “Os homens é que aquecem o forno, varrem-no, metem e tiram o pão. As mulheres amassam a farinha e verificam se está cozido”, relatou.

Também contou que cada habitante da aldeia “marca a vez” da utilização do forno comunitário colocando um feixe de lenha no interior do edifício que foi reabilitado, há meia dúzia de anos, pela Junta de Freguesia do Marmeleiro.

Como o forno de Penedo da Sé também é utilizado para cozedura de bolas de carne e de bolos e, ainda, para assar carne, quem o utiliza afirma que poupa dinheiro “a dobrar” porque não gasta “electricidade nem gás” em casa. “A lenha dá muito trabalho, a arranjar e a transportar, mas é mais barata”, concluiu Manuel Guerra.

 

 

 

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publicado por Marmeleiro às 16:33





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