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Famílias de Penedo da Sé fazem contas à vida e voltam a cozer pão

Quarta-feira, 02.09.09

Forno público ajuda a combater a crise

O forno público de Penedo da Sé, no concelho da Guarda, tem sido muito utilizado nos últimos tempos. Desde que a anterior Junta de Freguesia, presidida por Maria José Sanches, procedeu á recuperação, o equipamento ganhou nova vida e são muitas as famílias que ali cozem o pão para gasto de casa.

“Faço o pão no forno público porque é melhor, mais saboroso e não se gasta tanto” explicou Maria Estela Ginete, ao jornal A Guarda. Com setenta anos feitos, esta residente de Penedo da Sé, adiantou que a recuperação do forno beneficiou a aldeia. “Nós cozemos pão todos os quinze dias e há mais pessoas a fazer o mesmo. Como ainda dá um pouco de trabalho, aproveitamos para cozer mais de cada vez” adiantou Maria Estela, ao mesmo tempo que cuidava de amassar a farinha.

“Há mais de vinte anos que faço o pão aqui no forno público, mas antes já cozia o pão num forno mais pequeno, pertencente à nossa família”, acrescentou. Se antes cozia dez, doze pães, que era a capacidade do forno que havia lá em casa, agora, com o forno público pode cozer 25 pães de cada vez.  

“Quase gastamos um pão por dia e quando nos juntamos todos, lá em casa, ainda gastamos mais”, disse Maria Estela. E arremata: “Ao longo do ano quase não compro pão da padaria”.

Sobre o processo de fazer o pão, Maria Estela explica: “Deitamos a farinha na masseira e depois juntamos água, farinha e sal. Depois de estar tudo amassado, deixamos fintar a massa. Quando a massa fica finta é separada em pedaços para fazer os pães que são metidos no forno”. Como é pessoa de fé, no momento de amassar, vai rezando “o pão cresça e as alminhas no céu se aliviem”. “Quando o pão está amassado faço uma cruz em toda a massa e digo: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. E ao pôr o pão no forno acrescenta: “o pão cresça no forno e as alminhas no céu se aliviem”.

Para que pão possa cozer, no momento certo, Manuel Rodrigues Guerra, de 73 anos, e marido de Maria Estela, tem ao seu cuidado o aquecimento do forno. “Sou eu que venho sempre a acender o lume” refere.

“Para aquecer o forno costumo trazer lenha bem seca de freixo, vides e às vezes salgueiro. Depois de acender o lume, primeiro os tijolos ficam negros e depois ficam branquinhos, o que significa que o forno está quente”, explica Manuel Guerra. E adianta: “o forno demora mais ou menos uma hora a aquecer”.

Para saberem se o pão está cozido, Manuel Guerra e Maria Estela regulam-se pela cor da côdea e pelo toque. “Se estiver cozido, o pão tem um toque diferente”.

Depois do pão estar cozido, o forno é limpo. “Todas as pessoas deixam o forno limpo”.

Durante a semana e ao longo de todo o ano, o forno de Penedo da Sé ainda coze muitas vezes e para “apanhar a vez” basta deixar um feixinho de lenha ou até mesmo um simples pau. “As pessoas já sabem que para marcar a vez para utilizar o forno basta deixarem um feixe de lenha ou outro sinal qualquer”.

Como o forno está sempre aberto, a marcação da vez pode ser feita a qualquer hora do dia.

Segundo Manuel Guerra, “houve uma altura em que havia pouca gente a usar o forno público, mas agora volta a haver muitas pessoas a cozer aqui o pão”. “Este pão tem outro gosto e, acaba por ficar mais barato, por isso, foi bom a Junta de Freguesia ter mandado arranjar o forno público”, conclui este habitante de Penedo da Sé.

De outros tempos, Manuel Guerra lembra que algumas pessoas usavam o forno público para se aquecerem durante a noite. “Havia quem dormisse no forno por causa do frio. Um dia quando íamos a meter lenha no forno estava cá dentro um homem a dormir”.

Jornal A Guarda de 27 de Agosto de 2009

 

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publicado por Marmeleiro às 18:29


1 comentário

De jogos online a 17.09.2009 às 13:40

Não há nada como paozinho caseiro :)

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